Empresas apelam à gestora para superar crise

Um exemplo de empresa que optou pela medida é a Topack, que aderiu a gestão compartilhada para tentar superar o momento difícil gerado pela crise

Cinquenta trabalhadores demitidos em um espaço de três meses, atrasos em depósitos de férias, 13º salário, o próprio salário, cestas básicas, além de direitos trabalhistas. Tudo isso em meio a um cenário econômico caótico. O cenário da Topack do Brasil, de Americana, em janeiro deste ano era esse e pouco havia de opções e alternativas para colocar o “barco” novamente no caminho certo. Desde março, a gestão da fabricante de embalagens passou a ser compartilhada com uma empresa especializada em melhoria em reestruturação e transições críticas, e a ideia é atravessar o momento de crise sem tantas turbulências.

Desde que a empresa de São Paulo assumiu a gestão compartilhada, não houve demissões em massa e o salário mensal voltou a ser pago em dia. As pendências anteriores vêm sendo negociadas e pagas, garantem os diretores, e a promessa é que sejam quitadas por completo. Seguindo o ditado popular que diz que, em tempos de crise, “uns choram enquanto outros vendem lenços”, a empresa de gestão se enquadra exatamente na classe dos vendedores de lenço e não só no período de crise. Ela é especializada em desenvolver performance de empresas, atua também em processos de transições e linhas sucessórias. Em seu portfólio está a Bombril, por exemplo.

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Empresa de embalagens tenta superar momento difícil por conta da crise

No caso da Topack, que é especializada em embalagens para o transporte de mercadorias em pó ou granuladas, a desaceleração do mercado criou dificuldades não esperadas para os proprietários. Dois representantes da gestora, contratada por dois anos, comandam o processo de reestruturação da empresa. O contrato tem previsão de fim, mas a passagem da gestora pode ser encurtada ou ampliada, conforme a necessidade. Depois de um mês traçando o diagnóstico da empresa, a conclusão inicial é que não seria necessário executar transições drásticas para tirar a Topack da crise. Novas demissões em massa, por exemplo, não estão entre as metas.

Nós conseguimos recentemente pagar as férias devidas, por exemplo. A situação da empresa já permitiu que pudéssemos colocar em prática algumas ações”, disse José Luiz Parrode, um dos responsáveis pelo diagnóstico empresarial. Guilherme Mota, o outro responsável pelo processo de reestruturação da Topack, disse que quando a gestora chegou à empresa houve uma tentativa de manter algumas características da têxtil. “A Topack é verticalizada, então pega a matéria-prima e faz toda a cadeia para a fabricação é feita aqui. Desde o fio até o produto final. Esta é uma vocação da empresa, eles têm máquinas patenteadas nesse setor”, disse Mota.

Ele disse que a verticalização dá vantagem à empresa de ter apenas um fornecedor de matéria-prima, polietileno, cuja fornecedora também é cliente da Topack. Apesar de ter assumido a gestão, ela vem sendo compartilhada com a direção da Topack, que não é excluída ou afastada dos processos de tomada de decisões. Apesar do processo de retomada, as pendências anteriores – cesta, 13º e PPR (Programa de Participação nos lucros – motivaram uma breve paralisação das atividades. Na manhã do dia 27 de maio um grupo decidiu protestar contra os atrasos. Como a decisão não partiu de assembleia e também não foi informada à chefia, o sindicato que representa os trabalhadores determinou a volta ao trabalho.

“Nós vamos regularizar a situação dentro da nossa capacidade financeira. Já estamos garantindo os salários em dia e vamos arcar com estas pendências, de forma a manter a saúde da empresa para produzir e manter os salários – que são nossa prioridade – em dia”, completou Parrode.

Matéria originalmente publicada aqui.